Sábado, Dezembro 7, 2019
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Nº 2 – Turismo Motocross, uma indústria pela paz?

A quem pertence o planeta? Será que pertence às centenas de turistas que na semana passada terrorizaram a região em que vivo com as suas motorizadas de todo o terreno? Quando imagino os tesouros naturais deste planeta e a sua diversidade e depois vejo o que sobra ao final do dia fico profundamente transtornado. Será que somos nós, o seres humanos, os donos deste planeta e podemos fazer dele o que bem entendemos ou será que somo somente uma parte e temos a responsabilidade de o cuidar bem? Durante todos estes anos que tenho percorrido esta parte do planeta, de Portugal, do Algarve e de Monchique, conheci muito da sua beleza…

…Mas também vi pessoas a destrui-lo. Malditos sejam! Tive que ficar a ver como centenas de praticantes de motocross andaram por montes e vales, campos a dentro. E depois, ontem, descobri este vídeo que mostra bandos de praticantes de motocross alemães a cruzar o terreno particular ardido dos meus vizinhos portugueses. Uma atitude que lembra os alemães que invadiram a Polónia em 1939. Essas pessoas mostram não ter aprendido nada durante estes anos todos. Malditos sejam! O sul de Portugal agora está a ser invadido por alemães e seus aliados em “panzers” sobre duas rodas. Monchique, esta pérola do Algarve, quem é que te vendeu e quem é que te comprou?

O presidente da câmara, reeleito por duas vezes, deveria saber bem o que lhe pode acontecer quando autoriza um evento como este chamado de MotoMania 2019. Deus lhe acuda. E ainda por cima desperdiçou milhares euros dos nossos impostos para apoiar esta organização (ISDE 2019) na destruição da Natureza. Nesta região, irreconhecível já por causa dos incêndios, Rui André, em compadrio com os seus “amigos” do ICNF, autoriza esses turistas a passar com as suas máquinas a torto e a direito sobre terrenos particulares e ribeiros protegidos pela Rede Natura 2000. E até passam sobre árvores recentemente plantadas!

Miguel Sousa Tavares, na edição 2393 do Expresso, caracterizou o presidente da câmara de Monchique como alguém de um “otimismo cínico que se viria a revelar morbido e que num país onde a responsabilidade política não fosse uma palavra vã o deveria ter levado a demitir-se no dia seguinte ao fogo ter sido extinto”. Quantas loucuras ainda terão que acontecer em Monchique e no Algarve, que se fazem passar como atividades turísticas normais? Não estarão já ultrapassados todos os limites? Por isso pergunto ao Rui André, mas não só, a quem é que pertence o planeta? Porque há alternativas, conforme nos mostra o presidente da câmara de Loulé, Vítor Aleixo. Recusou-se a pagar os dinheiros (35.000 euros) para apoiar essa máfia de motoqueiros. Bravo!

Gostaria de dar um conselho aos possíveis investidores estrangeiros e aos decisores nas comissões da UE. Pensem bem antes de continuar a investir e subsidiar projetos em Monchique. Estrangeiros, que queiram comprar cá um terreno para vir viver em Monchique, ou até investir em empresas e obter apoios da UE, deveriam primeiramente pedir garantias por escrito aos decisores na política local, para que haja garantias de sobrevivência, respeito pela natureza e para que seja levada a sério a sustentabilidade dos investimentos. Porque Monchique está sobre um barril de pólvora. Esse barril está cheio a 84% com eucalipto, que retira toda a água do solo e aumenta o perigo de incêndio todos os anos, e tudo isto é agravado por uma política que teima em repetir os mesmos erros catastróficos.

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