{"id":4849,"date":"2013-09-20T01:26:43","date_gmt":"2013-09-20T01:26:43","guid":{"rendered":"http:\/\/eco123.info\/?p=4849"},"modified":"2013-09-20T01:26:43","modified_gmt":"2013-09-20T01:26:43","slug":"manuel-salgado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/eco123.info\/en\/uncategorized\/manuel-salgado-2\/","title":{"rendered":"Manuel Salgado"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-4850\" alt=\"Manuel Salgado\" src=\"http:\/\/eco123.info\/wp-content\/uploads\/Manuel-Salgado-08-300x201.jpg\" width=\"300\" height=\"201\" srcset=\"https:\/\/eco123.info\/wp-content\/uploads\/Manuel-Salgado-08-300x201.jpg 300w, https:\/\/eco123.info\/wp-content\/uploads\/Manuel-Salgado-08-290x195.jpg 290w, https:\/\/eco123.info\/wp-content\/uploads\/Manuel-Salgado-08.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Sendo a LX Factory um caso pioneiro na reabilita\u00e7\u00e3o urbana em Lisboa, a ECO123 entrevistou o arquitecto Manuel Salgado. Vereador no actual executivo da C\u00e2mara Municipal de Lisboa, tem a seu cargo pelouros como o de Planeamento e Pol\u00edtica de Solos, de Licenciamento Urban\u00edstico, da Reabilita\u00e7\u00e3o Urbana e de Obras Municipais. Professor Catedr\u00e1tico Convidado de Projecto do curso de Arquitectura do Instituto Superior T\u00e9cnico desde 2002, desenvolveu projectos de arquitectura e urbanismo de escalas muito variadas, como o Centro Cultural de Bel\u00e9m, o Projecto dos Espa\u00e7os P\u00fablicos da EXPO\u201998 ou o Projecto Urbano de Romanina e o Plano de Pormenor de Bastia, em It\u00e1lia, entre muitos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. No respeitante \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o urbana, a LX Factory \u00e9 caso \u00fanico em Lisboa? Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre o projecto?<\/strong><\/p>\n<p>Hoje j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, foi caso \u00fanico quando foi lan\u00e7ado. Felizmente hoje come\u00e7am a despontar outras iniciativas do mesmo tipo, com caracter\u00edsticas diferentes mas que no fundo consistem em aproveitar espa\u00e7os existentes mudando os seus usos e favorecendo a instala\u00e7\u00e3o de actividades na \u00e1rea das ind\u00fastrias criativas, do com\u00e9rcio especializado e da restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o interessantes: uma \u00e9 o antigo edif\u00edcio dos correios, na Pra\u00e7a D. Lu\u00eds, que tem um projecto aprovado para um edifico de habita\u00e7\u00e3o e que os promotores entenderam que temporariamente ir\u00e3o utilizar para um espa\u00e7o de co-working. Uma outra situa\u00e7\u00e3o interessante \u00e9 um centro comercial localizado junto \u00e0s Amoreiras, na Rua D. Jo\u00e3o V, que neste momento \u00e9 tamb\u00e9m um projecto ligado \u00e0s ind\u00fastrias criativas mas na \u00e1rea da publicidade, com um conjunto de actividades complementares.<\/p>\n<div class=\"box shadow  alignleft\" style=\"width:90\"><div class=\"box-inner-block\"><i class=\"fa tie-shortcode-boxicon\"><\/i>\n\t\t\t<strong>&#8220;Felizmente hoje come\u00e7am a despontar outras iniciativas do mesmo tipo, com caracter\u00edsticas diferentes&#8221;<\/strong>\n\t\t\t<\/div><\/div>\n<p><strong>2. A LX Factory representa cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios postos de trabalho, reabilita\u00e7\u00e3o urbana, promo\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, tur\u00edstica e cultural. Dado que existem v\u00e1rios edif\u00edcios hist\u00f3ricos desocupados na cidade, desde pal\u00e1cios at\u00e9 antigas f\u00e1bricas. Porque n\u00e3o existem mais projectos assim, particularmente sob a al\u00e7ada da autarquia?<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente, por iniciativa da pr\u00f3pria c\u00e2mara, est\u00e3o a ser desenvolvidos programas que s\u00e3o de algum modo parecidos. Uma Start-Up na baixa de Lisboa, cuja amplia\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora a ser estudada. Um outro no Convento do Desterro, tamb\u00e9m para a actividades nas \u00e1reas criativas, numa parceria com a empresa estatal Estamo. E um terceiro que \u00e9 um laborat\u00f3rio de prototipagem instalado no mercado do Forno do Tijolo. Ainda h\u00e1 uma outra iniciativa, tamb\u00e9m recente, na Avenida das For\u00e7as Armadas, que \u00e9 uma parceria entre o ISCTE (Instituto Superior de Ci\u00eancias do Trabalho e da Empresa), a EPUL (Empresa P\u00fablica de Urbaniza\u00e7\u00e3o de Lisboa) e a C\u00e2mara de Lisboa. Tudo isto s\u00e3o iniciativas que come\u00e7am a despontar em Lisboa, das quais a LX Factory foi a percursora, e que t\u00eam a caracter\u00edstica comum de ser uma economia emergente que aproveita os espa\u00e7os existentes e, que atrav\u00e9s das sinergias criadas pelos v\u00e1rios actores geram ambientes particularmente prop\u00edcios \u00e0 cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Em muitas situa\u00e7\u00f5es, a principal raz\u00e3o que impede as pessoas de habitar no centro de Lisboa \u00e9 financeira. Como forma de combater a desertifica\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea, \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 autarquia ter uma ac\u00e7\u00e3o sensibilizadora ou atua\u00e7\u00e3o reguladora sobre os pre\u00e7os praticados nos edif\u00edcios reabilitados, quer na venda, quer no aluguer?<\/strong><\/p>\n<p>A capacidade dos munic\u00edpios intervirem no pre\u00e7o final do produto \u00e9 muito limitada. O mercado de arrendamento est\u00e1 completamente liberalizado, tanto o comercial, como o habitacional. E com a excep\u00e7\u00e3o de pessoas com idade superior a 65 anos, e que comprovem que t\u00eam recursos muito escassos, o mercado funciona livremente.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios s\u00f3 podem intervir se tiverem iniciativa pr\u00f3pria &#8211; edif\u00edcios de constru\u00e7\u00e3o municipal. Temos por exemplo, edif\u00edcios em bairros que foram constru\u00eddos pelo munic\u00edpio com rendas sociais, temos um programa de renda convencionada (ligeiramente mais alta que a social) e estamos a procurar estabelecer mecanismos em que, a troco de determinados incentivos que o munic\u00edpio d\u00e1 aos particulares lhes imp\u00f5e como condi\u00e7\u00e3o colocarem as habita\u00e7\u00f5es no mercado de arrendamento com rendas que sejam inferiores ao valor de mercado. Estes mecanismos n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de implementar, estamos a procurar atrav\u00e9s de um regulamento aprovado h\u00e1 meses atr\u00e1s, que nas novas iniciativas exista de facto essa possibilidade. Isto seria mais f\u00e1cil, se por exemplo, fosse poss\u00edvel atrav\u00e9s de contrapartidas de financiamento, mas essa faculdade n\u00e3o existe, pois o munic\u00edpio n\u00e3o tem capacidade de emprestar dinheiro aos privados e n\u00e3o consegue estabelecer parceiras com a banca para que financie, porque a banca neste momento \u00e9 muito restritiva quanto aos financiamentos, portanto a margem que existe aqui \u00e9 reduzid\u00edssima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. At\u00e9 que ponto a recupera\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 uma prioridade para a autarquia? Quais s\u00e3o as principais medidas tomadas neste sentido?<\/strong><\/p>\n<p>O que a C\u00e2mara tem definido como prioridade das prioridades \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o urbana. Essa reabilita\u00e7\u00e3o urbana no fundo incide sobre tr\u00eas vectores: por um lado a reabilita\u00e7\u00e3o dos equipamentos municipais, se n\u00e3o a for a Camara a reabilitar ningu\u00e9m os reabilita \u2013 escolas, cresces, bibliotecas; a reabilita\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico \u2013 ruas, pra\u00e7as, jardins \u2013 tem sido feita duma forma sistem\u00e1tica; e a reabilita\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios municipais. Para al\u00e9m disso, como a maior parte dos edif\u00edcios que existem em Lisboa s\u00e3o privados e n\u00e3o municipais, o que a C\u00e2mara tem feito \u00e9 adoptar um conjunto de medidas que incentivem os particulares a reabilitar. Isso passa por reduzir a zero todas as taxas municipais, ao contr\u00e1rio das obras novas em que estas s\u00e3o pesadas, passa por tomar medidas em que quem reabilite beneficie de incentivos fiscais, e h\u00e1 incentivos fiscais muito significativos &#8211; sendo o mais relevante a isen\u00e7\u00e3o do IMI durante 5 anos, prolong\u00e1vel por mais 5 e a redu\u00e7\u00e3o do IVA de 23% para 6% &#8211; isto s\u00e3o benef\u00edcios muito significativos que existem para a reabilita\u00e7\u00e3o e que resultam duma ac\u00e7\u00e3o voluntarista do munic\u00edpio de Lisboa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5. Na maioria dos casos, a recupera\u00e7\u00e3o urbana parece passar pela constru\u00e7\u00e3o de projectos novos e n\u00e3o pela reabilita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o estar\u00e1 este facto a contribuir para a extin\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da cidade e existem mecanismos por parte da autarquia para identificar edif\u00edcios que sejam relevantes em termos de patrim\u00f3nio e assegurar a sua preserva\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Falso. 95% dos edif\u00edcios que entram na Camara s\u00e3o de reabilita\u00e7\u00e3o, e desses 95% o n\u00famero daqueles que corresponde a manter a fachada e demolir o interior e reconstru\u00ed-lo \u00e9 residual, n\u00e3o chega a 10%. A grande maioria s\u00e3o edif\u00edcios reabilitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6. Apesar do custo do estacionamento, os autom\u00f3veis ocupam cada vez mais o espa\u00e7o p\u00fablico, al\u00e9m de serem fonte de polui\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a. De que formas tenciona a C.M. resolver esse problema?<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 complexo mas tem vindo a ser abordado duma forma objectiva e completa. Em Lisboa sofremos as consequ\u00eancias da forma como se desenvolveu a \u00c1rea Metropolitana de Lisboa (regi\u00e3o com 18 munic\u00edpios da Grande Lisboa e da Pen\u00ednsula de Set\u00fabal) que assentou numa dispers\u00e3o por um territ\u00f3rio muito grande, e essa dispers\u00e3o levou ao fomento da utiliza\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel, do transporte individual. Porque enquanto essa expans\u00e3o se localizou ao longo das linhas de comboio, nos aglomerados servidos por linhas de comboio, seja da linha de Sintra, Cascais ou do Norte, as pessoas n\u00e3o tinham que recorrer tanto ao autom\u00f3vel. Quanto tudo isto se dispersa, e o que se densifica \u00e9 a rede rodovi\u00e1ria \u00e9 evidente que uma pessoa entre escolher sair de casa de carro at\u00e9 \u00e0 esta\u00e7\u00e3o e vir (de carro) para Lisboa n\u00e3o vem de comboio.<\/p>\n<p>E o que acontece \u00e9 que hoje, em cada 3 carros que circulam em Lisboa, 2 vem de fora de Lisboa. Lisboa tem 545 000 habitantes e entram outros tantos todos os dias em Lisboa e \u00e0 volta de 370 000 carros por dia entram em Lisboa, quando s\u00f3 est\u00e3o registados 166 000. Portanto aquilo que \u00e9 importante fazer \u00e9 come\u00e7ar a reduzir a necessidade dos carros entrarem em Lisboa. Como \u00e9 que isto \u00e9 feito? A medida mais importante que tom\u00e1mos \u00e9 controlar o estacionamento. Se n\u00e3o houver oferta de estacionamento, quem vem de fora n\u00e3o tem onde estacionar, n\u00e3o vem. Mas ao mesmo tempo tenho que aumentar a oferta de estacionamento para os residentes. Se sou residente e moro numa rua em que tenho de tirar o carro de manh\u00e3, porque se n\u00e3o vem a pol\u00edcia e multa-me, se tiver um local onde possa estacionar 24h por dia mais facilmente utilizo o transporte p\u00fablico. Portanto, o controlo de estacionamento \u00e9 uma medida absolutamente essencial.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o de actividades na cidade. Se localizar o emprego junto dos n\u00f3s da rede de transportes p\u00fablicos pesados \u2013 por exemplo aqui em Entrecampos, temos metro, comboio que vem da linha de Sintra, da linha do Norte e da Ponte e autocarros, portanto \u00e9 uma zona particularmente bem servida de transportes, deve procurar localizar-se aqui o m\u00e1ximo de emprego. Quem diz aqui diz na Pra\u00e7a de Espanha, diz em Alc\u00e2ntara, diz em Sete Rios, diz no Cais do Sodr\u00e9, diz na Expo. Chamamos a isto o colar das centralidades, s\u00e3o uma s\u00e9rie de zonas onde favorecemos a instala\u00e7\u00e3o de emprego, s\u00e3o aquelas que tem as densidades mais altas previstas no plano director e ao mesmo tempo s\u00e3o aquelas onde h\u00e1 um tecto ao n\u00famero de lugares de estacionamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o me interessa que uma empresa se instale aqui e que traga milhares de carros, quanto mais lugares de estacionamento tiver mais carros tem. O que pretendo \u00e9 que nestas zonas que s\u00e3o muito bem servidas de transportes p\u00fablicos, se reduza a oferta de estacionamento autom\u00f3vel, que as pessoas venham de transporte p\u00fablico e n\u00e3o de autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 um conjunto de medidas, e depois h\u00e1 um outro conjunto de medidas que est\u00e3o a ser tomadas que passam por favorecer a mobilidade dentro da cidade, utilizando os chamados modos suaves como a bicicleta e andar a p\u00e9, fomentar o uso do transporte p\u00fablico e de alguma forma criar menos condi\u00e7\u00f5es para a necessidade de se recorrer ao autom\u00f3vel privado. H\u00e1 umas fotografias muito interessantes que comparam o espa\u00e7o ocupado por um autocarro com o espa\u00e7o ocupado por autom\u00f3veis individuais transferindo cada um dos passageiros para o seu autom\u00f3vel e percebe-se de facto o que isto significa em termos de espa\u00e7o ocupado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7. O problema parece ser que os transportes n\u00e3o funcionam como deveriam, particularmente em termos de hor\u00e1rios.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma pescadinha de rabo na boca. Os transportes funcionam t\u00e3o melhor quanto maior procura tiverem. Se tiverem pouca procura funcionam mal, portanto \u00e9 preciso aumentar a procura do transporte, para al\u00e9m de obviamente quest\u00f5es conjunturais como as que existem neste momento, resultado duma pol\u00edtica adoptada nos \u00faltimos dois anos, de aumento significativo dos custos de transportes est\u00e3o a colocar muita gente fora do mercado dos transportes. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de carreiras, das \u00e1reas servidas, e portanto \u00e9 verdade que os transportes p\u00fablicos funcionam hoje muito pior do que h\u00e1 uns anos atr\u00e1s e \u00e9 urgente inverter esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>8. Considera que vedar \u00e1reas de Lisboa, como a baixa da cidade, \u00e0 circula\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel poderia contribuir para revitalizar os pequenos neg\u00f3cios, impulsionar a cria\u00e7\u00e3o de novos e humanizar a cidade?<\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que sim e que tem de ser feito com cuidado, porque se for entrevistar os comerciantes, a maior parte acha que n\u00e3o. Acham exactamente o contr\u00e1rio, que \u00e9 preciso ter carros, h\u00e1 mesmo aquela teoria americana \u201cno car no business\u201d. Pessoalmente estou convencido do contr\u00e1rio. Por exemplo, a Rua Augusta vende mais do que a Rua da Prata, a Rua Augusta n\u00e3o tem carros e a Rua da Prata tem, e acho que visitando as cidades mais evolu\u00eddas do mundo efectivamente o que se v\u00ea \u00e9 que cada vez h\u00e1 mais \u00e1reas pedonais, cada vez h\u00e1 mais restri\u00e7\u00f5es na circula\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel e cada vez h\u00e1 mais aposta nos meios suaves. Curiosamente Nova Iorque reduziu significativamente o n\u00famero de faixas de rodagem, tem pistas cicl\u00e1veis por todo o lado, alargou os passeios e portanto criou condi\u00e7\u00f5es completamente diferentes daquelas que tinha h\u00e1 10 anos atr\u00e1s. A pol\u00edtica de defesa do ambiente e melhoria da qualidade urbana em Nova Iorque veio exactamente neste sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>9. Existem cada vez mais utilizadores de bicicleta na capital. Acha que Lisboa \u00e9 ou n\u00e3o uma cidade cicl\u00e1vel? Considera haver impedimentos a uma maior utiliza\u00e7\u00e3o de meios de transporte alternativos na cidade?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre aquele argumento de que Lisboa tem uma topografia muito acidentada e que isso afasta os ciclistas. O que temos verificado \u00e9 que nem toda a Lisboa \u00e9 acidentada \u2013 dois ter\u00e7os da cidade, o que est\u00e1 aqui \u00e0 volta (Entrecampos), o chamado planalto \u00e9 praticamente plano, ou seja, do Saldanha para c\u00e1 \u00e9 tudo relativamente plano e a prova est\u00e1 em que cada vez h\u00e1 mais pessoas a andar de bicicleta. Al\u00e9m de que as pr\u00f3prias bicicletas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram h\u00e1 60 anos atr\u00e1s, eram pesadas e dif\u00edceis de utilizar. Hoje em dia at\u00e9 h\u00e1 bicicletas que tem motor el\u00e9ctrico o que reduz o esfor\u00e7o necess\u00e1rio para circular. Isto para dizer que estamos numa situa\u00e7\u00e3o em que cada vez h\u00e1 mais procura para a bicicleta, e para outros meios, para a mobilidade el\u00e9ctrica, para os h\u00edbridos, h\u00e1 uma altera\u00e7\u00e3o muito significativa para os modos de locomo\u00e7\u00e3o nas cidades e isso \u00e9 muito vantajoso para a melhoria da qualidade do ar, emiss\u00e3o do ru\u00eddo e maior conforto e seguran\u00e7a das pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>10. Hoje em dia, as ac\u00e7\u00f5es das pessoas s\u00e3o cada vez mais orientadas para o consumo. Lisboa tem locais suficientes onde as pessoas possam simplesmente estar, sem ter de \u201cfazer\u201d algo?<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez tem mais, cada vez tem mais jardins, cada vez tem mais miradouros, tem havido um esfor\u00e7o grande de melhoria de espa\u00e7o p\u00fablico. \u00c9 evidente que se uma pessoa quiser ir para um miradouro beber uma cerveja pode ir, mas n\u00e3o \u00e9 obrigada. Pode sentar-se a ver a vista, desfrutar do ambiente sem que seja obrigada a consumir. O mesmo se passa nos jardins, \u00e9 evidente que quem se senta numa esplanada tem de consumir, mas para al\u00e9m dessas situa\u00e7\u00f5es tem aumentado muito os espa\u00e7os que s\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica na cidade de Lisboa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>11. Na sua opini\u00e3o, o que faz falta a Lisboa?<\/strong><\/p>\n<p>Falta imensa coisa, faltam muitas muitas coisas. Neste momento temos um projecto para Lisboa que \u00e9 muito importante, portanto as decis\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o tomadas casuisticamente. Temos um projecto que est\u00e1 perfeitamente delineado, foi consagrado no plano director, na carta estrat\u00e9gica, portanto sabemos o que queremos. E porque sabemos o que queremos, falta fazer muita coisa. Falta ainda muita obra de reabilita\u00e7\u00e3o da zona ribeirinha para devolver o rio \u00e0 cidade e aos lisboetas, falta requalificar todo o eixo central de Lisboa desde o Marqu\u00eas de Pombal para norte em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 alta de Lisboa, falta requalificar a Almirante Reis, falta intervir nos bairros todos da cidade com espa\u00e7os que sejam confort\u00e1veis onde as pessoas se re\u00fanam, falta reabilitar e investir ao n\u00edvel dos equipamentos p\u00fablicos e falta um enorme investimento que o munic\u00edpio sozinho n\u00e3o pode assegurar de forma alguma que \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o do patrim\u00f3nio edificado, um investimento muito muito relevante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sendo a LX Factory um caso pioneiro na reabilita\u00e7\u00e3o urbana em Lisboa, a ECO123 entrevistou o arquitecto Manuel Salgado. 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