Sexta-feira, Setembro 22, 2017
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A pesquisa do espelho na aldeia de Tamera

Investimento verde em Portugal

Uma membrana de captação de energia solar de alta definição é uma disciplina pioneira na geração de energia solar. Quem esperaria que esses dispositivos de alta tecnologia destinados ao uso industrial, estivessem a ser desenvolvidos justamente numa oficina em local remoto no Alentejo? A Aldeia Solar de Tamera recebeu de um cliente indiano, em setembro de 2014, 100.000 dólares para levar este desenvolvimento um passo adiante. A técnica baseia-se no princípio do espelho de foco fixo, tal como no chamado espelho Scheffler usado em Tamera para cozinhar. Mas este não requer alta precisão para atingir a sua temperatura de 200 graus.

O criador Dr. Douglas Baillie: “Quanto menor conseguirmos fazer o ponto de foco de luz, mais elevada é a temperatura gerada e mais aplicações são concebíveis”. O espelho pode ser do interesse de todas as empresas industriais locais, que necessitem de temperaturas elevadas, por exemplo, para fundir vidro, destilarias de cerâmica, metalurgia, bem como padarias ou produtores de cal, uma vez que é utilizado como proteção contra a humidade em construções de argila. Com as licenças o investidor indiano quer criar um primeiro protótipo, com o qual se podem reciclar resíduos de plástico em petróleo.

No entanto, até à aplicação prática ainda vai demorar algum tempo. De qualquer forma, o espelho teste, que até agora foi desenvolvido, já atinge 1000 ° C de calor utilizável. Para tal, foram necessários meses intensos de tentativa e erro, de brainstorming, ideias brilhantes e um trabalhoso método de exclusão de problemas. A ideia brilhante foi o desenho da almofada inflável de membranas poliméricas em formas funcionais. Seis das que constam da fotografia do segmento do espelho devem, posteriormente, ser montadas com um espelho segmentado. O protótipo deve ser capaz de produzir até 2 KW.

Douglas Baillie
Douglas Baillie

Douglas Baillie”. Normalmente, esta pesquisa é feita em grandes universidades com altos orçamentos e acesso a fontes de grande conhecimento. Mesmo que não consigamos atingir um nível de precisão e eficácia, no domínio dos sistemas pequenos e leves, nós já alcançámos  um sucesso tremendo.”

No ano passado, um outro investidor da Austrália possibilitou o prosseguimento da investigação. Totalmente livre de condicionamentos, doou 100.000 euros, com os quais o trabalho pode ser continuado. Baillie: “Para mim, isso é um exemplo do investimento do futuro: Este apoio incondicional a uma tecnologia pioneira jovem também torna possível a existência de um pequeno laboratório de desenvolvimento de projetos, a criação de uma equipa que possa trabalhar com compromisso.” Prevê-se que, no verão de 2016, o primeiro protótipo esteja pronto.

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