Segunda-feira, Junho 1, 2020
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Uma tachada com muitas coisas boas do seu jardim

A nossa meta é a autonomia alimentar. Para lá chegar precisamos de cinco anos. Em cinco passos alcançamos essa meta. No primeiro ano, trabalhamos a terra, limpando-a e criando uma terra leve, retirando as pedras e as ervas daninhas. Ao mesmo tempo, fazemos compostagem, para depois usar o composto como fertilizante para a primeira sementeira do segundo ano: batatas e cebolas, ervilhas e feijão, tomate e pimento, e muito mais. Recomendamos também um curso de permacultura na Quinta Vale da Lama, em Lagos. Para a receita de hoje, quase todos os ingredientes são do nosso próprio jardim. A colheita deste terceiro ano foi: feijão-verde, brócolos, tomate, cebola, batata e batata-doce, alho e folhas de louro do loureiro. É uma receita para um dia de outono.

Também temos morangos plantados sobre placas de cortiça em aquaponia, num tanque com 5 m por 2 m, em que também estamos a experimentar plantar ervas aromáticas. A aquaponia tem a vantagem de dispensar a rega, já que as plantas crescem diretamente na água.

Vamos então começar a preparar o almoço. Podemos usar lentilhas de Espanha da loja biológica, ou grão comprado no mercado a um dos agricultores da aldeia. Ainda não temos grão do nosso jardim, mas talvez já o tenhamos no ano que vem. Em quase todo o país temos mercados em que se vendem produtos locais. Eles merecem o nosso apoio e, por isso, é ali que fazemos as compras uma vez por semana: compramos mel, milho e azeitonas curtidas para fazer paté de azeitona, uma entrada maravilhosa para barrar no pão. Para o paté, retire os caroços das azeitonas que estiveram a marinar em alho, limão e orégãos. Passe com a varinha mágica até ficar cremoso e junte um pouco de azeite, orégãos e sal a gosto. Pronto.

Em breve, em novembro, voltamos a colher a azeitona. Como o ano foi muito seco, provavelmente a colheita irá ser escassa. No ano passado, no lagar e retirado a frio, ainda obtivemos 10 litros de azeite pelos cerca de 100 kg de azeitona. Esse azeite está agora a chegar ao fim. Mas em Padieiros, Alferce, podemos comprar precioso e dourado azeite por seis euros o litro. E enchem-nos a garrafa de vidro que trazemos para o efeito. O sabor é maravilhoso. Mas vamos curtir a azeitona de mesa nós próprios.

E, recentemente, fomos caminhar pela montanha e apanhámos amoras. Fizemos doce. Quanto à grande quantidade de tomate que nos dá a horta, transformamo-la num molho, que é preparado em lume brando e usado em massas e nos traz recordações do verão durante as refeições no inverno. Não nos alimentamos de forma vegan, mas já não comemos carne. O que não se consome no verão é conservado de forma tradicional para o inverno. Mas até já conseguimos quatro colheitas de batata. Todos os sábados vou buscar um pouco de leite de cabra ao meu vizinho José. O António ou o Eric têm ovos à sexta-feira. Por vezes compramos um queijo de cabra à Peregrina ou à Monique. Neste momento estamos a secar figos. Depois vêm as nozes e amêndoas.

Mas agora vamos ao almoço: refogue três cebolas médias em azeite e tempere com sal de Tavira e pimenta vermelha do jardim. Para quatro pessoas, use um litro de água e um cubo de caldo vegan (sem óleo de palma por favor!).

As cebolas são refogadas muito lentamente até alourarem. Depois junta-se a água, duas folhas de louro, o feijão, os brócolos e um pouco mais tarde o tomate cherry que ainda sobrou do verão e já está quase seco, e a batata, pode ser também batata-doce. E se ainda houver algo mais para aproveitar na cozinha, é juntar, por exemplo: pimento, courgette ou cenoura cortados em pequenos cubos. Por fim, não se esqueça de juntar as lentilhas, previamente lavadas, ou o grão, que tem que ser colocado em água da noite para o dia.

Deixe esta colorida variedade de ingredientes fervilhar durante 45 minutos. Caso seja necessário, junte mais água. Verifique o tempero, retire as folhas de louro e, no fim, junte mais um pouco de orégãos e azeite. Pouco antes de desligar o lume, adicione uma malagueta picada, mexendo bem. É este o último toque para esta sopa da pedra.

Vamos à sobremesa, um bolo de noz vegan, feito com farinha de espelta ou de trigo-sarraceno sem glúten, 50 gramas de açúcar de cana, 50 gramas de noz moída, cinco colheres de sopa de farinha de alfarroba, 15 gramas de fermento em pó, meia colher de chá de bicarbonato de sódio, e uma colher de chá de Bourbon-Vanille. Adicione ainda 125 ml de óleo de girassol, 225 ml de leite de amêndoa e 75 ml de mel, ou melhor, xarope de agave. Poderá descobrir como tudo isto é misturado para obter um bom bolo online, em
www.eco123.info/comer+beber+local+vegetariano

Bom apetite.

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