Quarta-feira, Dezembro 19, 2018
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Reportagem

eucalyptus-trees

Onde está enterrado o tesouro?

Vamos caçar um tesouro.O tesouro está na floresta. Sabemos que, enquanto o sol nasce, as árvores começam a trabalhar. Transformam o dióxido de carbono (CO²) em oxigénio, o elixir da vida. Primeira pergunta Onde está enterrado o tesouro? Tenha em mente que na Península Ibérica 1.5 milhões de hectares são floresta de eucalipto, principalmente para serem transformados em papel de escritório. Em Portugal (92.000 km2) temos eucalipto plantado sobre um milhão de hectares. Isso são 10.000 km2, ou seja, 12% do território nacional. Para vizualizar o que isso significa, imagine uma linha a ligar Lisboa a Montemor-o-Novo, Abrantes e Leiria. …

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ncêndio Monchique

A via dos caminhos tórridos

Por que razão, de quatro em quatro anos, votamos nos políticos do PS e do PSD, para os ver no Parlamento, alternadamente, em lutas de poder? E por que razão é que esse mesmo Parlamento aprova um Governo de ministros e secretários de Estado que mais não fazem senão pensar em como garantir os seus altos cargos durante o máximo de tempo, agarrados ao poder, às suas poltronas? Não terão eles a obrigação de tratar bem o país? Não terão eles feito o seu juramento? Não será sua obrigação servir o país com decisões inteligentes? E não deveriam eles garantir …

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TGV arrives to Stuttgart

A Europa precisa de um projeto

de portugal à noruega por dois carris… Nesse sentido chegámos rapidamente a um acordo. Foi uma ideia que tivemos durante um longo percurso de comboio. Tinha sido um gesto simpático da Comissão Europeia oferecer, este ano, pela primeira vez, um bilhete de Interrail para conhecer a Europa de comboio a quem tivesse 18 anos. Estava a caminho da entrevista a Per Espen Stoknes quando um jovem que, como eu, também pretendia viajar até Gotemburgo por Copenhaga, entrou no comboio com o seu bilhete de Interrail gratuito. O comboio encontrava-se na plataforma número 8 e os altifalantes anunciavam um atraso de …

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Joaquim Nunes Sequeira

Anda, vamos plantar uma árvore!

Cada respiração liga-me a ti. Normalmente, o ar é um fundo invisível no meu dia-a-dia. Não lhe dou muita atenção. Mas quando há poluição, fumo, nevoeiro, vento, neve ou chuva forte, lembro-me de que o ar faz parte dos quatro elementos que me formam e de que sou constituído. Socorro, não consigo respirar! Quando estou doente, e se torna difícil respirar, o ar volta a ter a sua importância muito especial. O “ar está pesado” tem um significado diferente em várias línguas. Ele entra no meu corpo, nos meus pulmões e na minha circulação sanguínea, e é levado pelo vento …

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Vende-se

Horst adorava ir ao cinema. Mas mal tinha tempo, e muito menos dinheiro, para pagar o bilhete. A sua sorte era viver mesmo ao lado do cinema. No primeiro andar, por cima do seu bar, na sala, tinha um quadro emoldurado que tapava um buraco na parede e que funcionava como uma câmara obscura. Um dia, revelou-me o seu segredo. Piscando o olho retirou o quadro da parede, e mostrou-me o que se via pelo buraco. Foi assim que me contagiou com a paixão pelo mundo do cinema. E a assistir gratuitamente, já que, pelo buraco, se via a projeção …

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monocultura abacate

Monocultura – um modelo descontinuado

Fritjof Capra v. René Descartes A visão mecânica do mundo impõe um pensamento linear e matemático, como numa aula de Matemática de terceira classe: partindo do exemplo de uma área de cem vezes cem metros, que faz 10.000 metros quadrados, ou um hectare, em agricultura intensiva e industrial um agricultor produz aproximadamente dez toneladas de frutos. Este valor serve de medida para todos os restantes valores num plano de negócios. Permite calcular previamente os proveitos e permite mais facilmente aceder a subsídios da UE ou a créditos bancários. Portanto, a expetativa de rentabilidade dos investidores perante uma plantação de frutos …

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Volta à Terra

Volta à Terra

A minha árvore favorita na Lousã. Combinei encontrar-me com o realizador e operador de câmara João Pedro Plácido (39)* na estação de Coimbra. Tínhamos o objetivo de explorar em conjunto uma floresta na Serra de Lousã. Era nessas montanhas que pretendíamos voltar a encontrar uma imagem que marca as recordações da juventude do Pedro, uma árvore maravilhosa. Foi com 16 anos de idade que o Plácido fez uma caminhada pela serra até às aldeias de xisto, pelo percurso do Castelo da Lousã, passando pelo Talasnal (3 km), Vaqueirinho (2,5 km) e Catarredor (1,1 km). Estava a recolher ervas aromáticas. O …

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imigrante nepalês

A maldição do dinheiro

Qual a ligação entre um imigrante nepalês – trabalhador na empresa agroindustrial Vitacress (Grupo RAR) inglesa, belga e portuguesa; na Deutsche Gemüsering GmbH Stuttgart (alemã)*(4) ou noutra multinacional agroindustrial, no maior concelho do Alentejo, Odemira – e os incêndios florestais em Portugal? À primeira vista poderíamos pensar que não existe. Não há conexão e, quem a tentar fazer, fá-lo-á, possivelmente, por maldade. Porém, num mundo em que tudo está globalmente em rede e em que o capital para os investimentos pode ser transferido rapidamente de um país para o outro, as coisas não são assim tão lineares. Analisemos melhor toda …

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Waterman Rajendra Singh

Desacelerar, distribuir e deixar infiltrar a água da chuva

Secas, desertificação, ondas de calor, cheias: as consequências das alterações climáticas agravam-se com os desequilíbrios na gestão da água a nível mundial. Em alguns pontos do globo há agricultores, iniciativas e proprietários que enfrentam esta ameaça com medidas simples e locais – e com sucesso. Todos seguem sempre o mesmo princípio: onde a chuva cai é onde ela se deve infiltrar no solo. Descentralizar em vez de centralizar. Um dos casos de sucesso é Tamera, no concelho de Odemira, Alentejo. Todos os seres vivos precisam de água. A disponibilidade de água em quantidade suficiente numa paisagem é que a valoriza …

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As escolas em tempos de desertificação

As escolas em tempos de desertificação

Nas zonas remotas é reduzida a oferta escolar, muitas escolas fecham. Os alunos são “aglomerados”, e têm que enfrentar um caminho escolar mais longo, distanciando-se das suas famílias. A vida no campo ainda se torna menos atrativa para as jovens famílias com filhos. Mudam-se, e a população escolar ainda fica mais reduzida. Que fazer? É a questão que se colocam os coordenadores educativos, os diretores e os pais. No Alentejo, as crianças são verdadeiros artistas a transformar a sua personalidade. Por exemplo o José Manuel*, de 12 anos de idade. Na quinta dos pais é rapaz do campo, capaz de …

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