Segunda-feira, Abril 24, 2017
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A piscicultura vai à horta

Uma estreia em Portugal: trata-se de um ciclo fechado de água e nutrientes; de produção de morangos e alface, abóbora e tomate (e muitas coisas mais) e peixe de água doce durante todo o ano. Uma produção complementa a outra. Os peixes fornecem à produção de vegetais os nutrientes naturais e os vegetais devolvem aos peixes a água reciclada e tratada. A água circula de um tanque para o outro durante as 24 horas do dia, injetada por bombas alimentadas a energia solar. A esta forma de produção biológica chama-se aquaponia. É fomentada e apoiada financeiramente pela UE.

Em Torres Vedras, 50 km a norte de Lisboa, está a nascer o projeto para o primeiro centro de aquaponia com fins comerciais em Portugal. O empreendedor deste projeto com um investimento financeiro de aproximadamente 1,1 milhões de euros, cuja orgânica levou cinco anos a preparar, João Cotter, descreve o seu projeto à ECO123: “nós fazemos a produção dos vegetais em hidroponia, e de peixe também, o qual, criado em tanques, fornece o adubo necessário às plantas. Juntando essas duas coisas iremos abrir uma loja que venderá o peixe (por encomenda) e os vegetais ao balcão, e também um restaurante, que servirá pratos de peixe e legumes diretamente da própria produção biológica. Para além disso, vamos fazer fornecimentos diretos dos nossos produtos biológicos frescos a restaurantes, mercados e consumidores finais. O fornecimento de proximidade garante uma gestão económica e ecológica.”

O professor e gestor do projeto alojou a sua Startup no Mare 2020 e espera obter um apoio ao financiamento entre 35 e 40 por cento, ou seja entre 400.000 e 440.000 euros. Pretende angariar o restante capital de investimento no mercado: capitais próprios e capital de investidores institucionais e particulares, e pelo Crowd-Investing. A Comarca de Torres Vedras também apoia o projeto com um terreno. O MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Lisboa irá acompanhar cientificamente este projeto pioneiro, que é um sistema ecológico fechado, sem produção de afluentes ou de resíduos.

Fish n‘ Greens, é o nome da sociedade por quotas que será fundada. Está prevista a produção de 42 toneladas de peixe e 60 toneladas de vegetais por ano, bem como a formação de 600 formandos. A página web www.fishngreens.pt já está online e concede informação sobre as seis metas do empreendimento:

  • Saúde: uma produção em simbiose com a piscicultura, sem recorrer ao uso de químicos e hormonas;
  • Sabor autêntico: produção de vegetais como, por exemplo, alface, ervas aromáticas, frutos e legumes em contexto urbano, sem pesticidas e com um gasto de água reduzido;
  • Formação: Workshops para crianças, escolas, estudantes e criação de postos de trabalho;
  • Pesquisa: Parcerias com instituições científicas, intercâmbio de know-how científico, ensaios e projetos piloto para outras instalações;
  • Sustentabilidade: proximidade do consumidor, transparência nos processos, pegada ecológica mínima, sustentabilidade ambiental, potencial atrativo turístico;
  • Agricultura urbana: a comercialização de peixe e vegetais frescos a consumidores locais na cidade, através da loja, e no restaurante, integrados e com certificação biológica.

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