Sexta-feira, Maio 29, 2020
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Short Stories

Nº 36 – Marque o 112 em caso de emergência

Quarta-feira, 27 de Maio de 2020 de Uwe Heitkamp Tuut. Tuut. Tuut. Clac! Fala Costa, como posso ser-lhe útil? Aqui fala da Imprensa. Bom dia, Senhor Costa. Estamos com problemas. A crise fez desaparecer todos os nossos clientes publicitários. O que fazer? (…) Li que a Imprensa, nos tempos que correm, está a vender publicidade ao Costa. E a si, caro leitor, está também a comprar-lhe algo? Será uma “fake”? Não, é verdade. Não, não, não fazia ideia de que a Imprensa em Portugal se deixa comprar. Não pode ser, certo? Ou será mesmo? O que se passa? Nós, na …

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Nº 35 – Os primeiros 5.000 anos de dívidas

Sábado, 23 de Maio de 2020 de Uwe Heitkamp Numa altura em que as cidades mais povoadas estão lentamente a regressar à normalidade da vida pública, aqui, no interior, estamos a refletir sobre os produtos essenciais para sobreviver às crises: o bom pão, o nosso próprio mel, o azeite local, a farinha de alfarroba, a alcagoita de que se faz a manteiga de amendoim, os produtos agrícolas, os alimentos frescos, como o queijo de cabra e a flor de sal, todos eles produzidos localmente e indispensáveis para um bom pequeno-almoço, almoço ou jantar. Antes do almoço colho algumas das folhas …

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Nº 34 – Alentejo: o lugar perfeito para o fim da globalização

Quarta-feira, 20 de Maio de 2020 de Leila Dregger Imagine – sim, eu sei que isto requer uma boa dose de fantasia, por ser muito pouco provável – mas imagine, apesar de tudo, que uma pandemia acabaria por bloquear todas as trocas comerciais globais para sempre. Deixariam de existir produtos baratos produzidos em massa na China e os porta contentores vindos da Ásia deixariam de atracar nos nossos portos. Não seriam apenas as baleias a viver com menos stress. Seria ruinoso para os bancos, e iria fazer cair as multinacionais como peças de dominó. Iria esvaziar as prateleiras nos supermercados. …

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Nº 33 – Sobre a insuportável leveza do ser

Sábado, 16 de Maio de 2020 Hoje recebi uma carta de um leitor de Tavira. Incluia a seguinte frase: Saia do facebook e vá para o jardim. Obrigado! É isso que estou a fazer desde o dia 17 de março: estou a trabalhar no jardim a plantar batata, alface, tomate, curgete, cebola, ervas-aromáticas. Alimento-me da minha horta. Poder aceitar essa oferta da Natureza é uma bela experiência. Tenho que confessar que faço parte daqueles dois terços da população – uma maioria silenciosa -, que não tem conta no facebook. Como jornalista seria quase uma obrigação fazê-lo. Mas, para mim, é …

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Nº 32 – Um momento decisivo para o futuro da energia solar

Quarta-feira, 13 de Maio de 2020 de Siddharth Sareen A contestação é intensificada em momentos de crise e os esforços coletivos promovem a solidariedade. A pandemia da COVID-19 e as respostas da sociedade à mesma são importantes, e atualmente ainda são imprevisíveis todas as consequências. No meio da tragédia, há inúmeros atos heroicos. Muitos acontecem longe da notoriedade do público. Estes contrastam com os esforços estratégicos para drenar o erário público. Portugal, enquanto Estado e enquanto sociedade, tem demonstrado uma determinação e uma força admiráveis, respondendo serenamente e em espírito de união. Assisto a estes acontecimentos de longe, trabalhando a …

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Nº 31 – A importância das histórias

Sábado, 9 de Maio de 2020 Uma reflexão de Dina Adão São nove da manhã. Em frente ao computador, impecavelmente maquilhada, e vestida como se fosse sair, a minha filha fixa o monitor. Está com cara de poucos amigos e solta alguns impropérios. Os livros estão espalhados pelo chão e ela fixa o relógio, visivelmente exasperada. O router não está a responder. Vivemos num local metido ao campo, onde, por cabo, chega apenas uma companhia de comunicações e multimédia: a Meo. O serviço, que nunca foi bom, cobrindo razoavelmente metade da casa, agora, anda pelas ruas da amargura. Em teletrabalho, …

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Nº 30 – Tempo de solidariedade

Quarta-feira, 6 de Maio de 2020 de Leila Dregger Agora, sofro a dobrar com a crise: estou de cama com uma neurite, tenho febre, e quase não consigo fazer nada. Mas ainda entro em contacto com pessoas que não vejo há muito tempo. Uma delas contou-me algo surpreendente: No ano passado foi visitar o povo Kogi, no norte da Colômbia. Este povo vive na Serra e ainda bastante isolado, segundo as suas tradições. E dizem ser “nossos grandes irmãos”. A razão para esta afirmação vem do facto de crerem ter um saber sobre a vida em harmonia com a Natureza, …

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Nº 29 – A continuação, segunda parte da curta de ontem „O que são então os Comuns“?

Domingo, 3 de Maio de 2020 de Alfredo Cunhal Sendim Os bens comuns em si são o planeta, o património sóciocultural-ambiental, o corpo, o urbano, o digital… Os Comuns são a gestão desses bens por comunidades que se autogovernam, criando procedimentos e regras que garantam o usufruto entre todos, e impedem a apropriação do bem apenas por alguns. São um modelo de governação operado por uma rede de cooperantes, as suas comunidades e o planeta. São também um processo político que nos convoca a agir para além das formas estratificadas do mercado e do Estado moderno. É, também, uma alternativa …

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Nº 28 – Os Comuns no mundo a haver

Sábado, 2 de Maio de 2020 de Alfredo Cunhal Sendim Há três meses as paragens de autocarro de Lisboa apregoavam a “Geração Sem Limites”, através de uma campanha publicitária de uma das redes que opera na prótese universal. Ora, vamos lá pensar juntos, como dizia o Agostinho da Silva, sem limites, num planeta finito já a abanar e com oito biliões de pessoas como nós, é normal que isto não vá correr bem. A questão é simples. Quem é que define os limites de quem? Mas antes de nos perdermos aí, porque é que não pensamos nos nossos limites, primeiro, …

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Nº 27 – Quão cego se pode ser?
Tirar as conclusões certas da história.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2020 A Primeira Guerra Mundial terminou com a gripe espanhola, em 1918. Esta frase – tal como está – nunca foi escrita num manual de História. Por que não? Diz-se que esta epidemia excedeu em mais de três vezes o número de pessoas que morreram no campo da guerra. A gripe espanhola não tem nada a ver com a Espanha. Sabia? A gripe espanhola foi trazida dos Estados Unidos para a Europa. A mãe de todas as pandemias, como também é chamada, começou quando um vírus na criação industrial de uma capoeira, no estado do …

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