Por Uwe Heitkamp
Interessa-se por um jogo cujo significado mais profundo reside em colocar uma bola na baliza, marcar um golo, rematá-la com o pé e gritar “Golo! Golo! Golo!”? Estou a imaginar-me a explicar este jogo a um alienígena, a explicar o futebol a alguém, especialmente o significado por trás deste desporto, porque, afinal, é apenas um desporto. Alguém aterra no nosso planeta Terra após uma longa viagem pelo espaço exterior, e todos ficam a olhar fixamente para uma caixa quadrada a que chamamos televisão, sem parar durante 90 minutos, assistindo à história de como se chuta uma bola. Entretanto, nem nos apercebemos que um OVNI acabou de aterrar no nosso quintal, e isso é, na verdade, um assunto muito mais importante do que colocar uma bola na baliza. O que acha? Um OVNI aterra no seu quintal e está a ver futebol?

Podia-se roubar o queijo da sanduíche de um adepto de futebol e ele nem se aperceberia, terminando a sua cerveja. Imaginem alienígenas a aterrar e todos sentados em frente à TV a ver Portugal jogar contra a República Democrática do Congo. Cuidado com o Ébola, é tudo o que posso dizer! Mas, imagine isto: o que estou a imaginar agora. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tira um euro de cada bilhete vendido para o Mundial e usa o dinheiro para comprar uma muda de árvore? Reflorestação, sabe? Iniciaria um projeto gigantesco e plantaria uma vasta floresta que nos forneceria oxigénio, proteção contra o calor, sombra e frutos — nozes, castanhas, alperces e muito mais. A floresta seria maior que Portugal, maior que a Península Ibérica, tão grande como o Deserto do Saara.
E, depois, aparece este tipo e embolsa o dinheiro — o que faz com ele? Ele diz que é para tornar o futebol mais popular no Ruanda, Moçambique, Lesoto e Sri Lanka. Para angariar o dinheiro do Prémio da Paz da FIFA, atribuído a Donald Trump. Para pagar subornos, se quiser ser reeleito. Gosta de futebol? Estou a imaginar o seguinte: cada adepto que compre um bilhete de mil dólares pega num dólar e compra uma árvore, talvez uma tília. As tílias não ardem com facilidade e são muito resistentes. Aguentam bastante calor, porque vai ficar ainda mais quente em breve, segundo os meteorologistas. Os sobreiros e as alfarrobeiras também são resistentes. E oliveiras, e por aí fora…
Agora, só precisamos de incorporar os OVNIs nesta história. Talvez consigamos convencer os alienígenas a plantar as árvores por nós, aí poderíamos continuar a ver televisão sem sermos incomodados…
Eco123 Revista da Economia e Ecologia
