Quinta-feira, Agosto 24, 2017
pt-ptende
Carne assada

Saudade.

Por que quase metade da humanidade passa o dia todo a falar sobre comida, sobre os verdadeiros ingredientes e sobre boas receitas, e por que é que muitos, na grande maioria dos casos, fazem exactamente o oposto ao seu organismo? Consumo de comidas gordurosas, altamente calóricas e, assim, muitas vezes nada saudáveis; a maioria também consome sempre carne de supermercado, de criação em massa de animais, e cuja origem nas muitas costeletas, febras e salsichas não se consegue minimamente identificar. Muitos nem sequer estão interessados em saber. Os nossos hábitos alimentares (de comida e bebida) estarão a ser vítimas da negligência deste nosso tempo que corre a um ritmo acelerado?

tasca saudade

Não seja sentimentalista quando for comer fora a Alcântara, em Lisboa! Mantenha a calma. Quando, apesar de tudo, nos recordamos dos bons velhos tempos, devemos antes de tudo, fazer a abordagem com consciência da exclusividade e originalidade dos nossos ingredientes. Quando for carne, pelo menos devemos ter conhecido ou visto o animal durante o seu tempo de vida. Caso não, devemos pelo menos conhecer qual a sua origem, como foi alimentado e tratado. Que lhe parece? Cabe-lhe a si decidir.

taberna-saudadeMuitos dias da semana não como carne. No entanto, na Taberna da Saudade deu-me vontade de o fazer. É sábado. Reservámos uma pequena mesa com bancos. Pão fresco, manteiga de cabra, azeitonas e queijo são servidos acompanhados de uma garrafa de Plansel Alentejano 2011. Agora sim, abrem-se as portas da saudade. Engana-se redondamente quem pensa que em Alcântara Monchique não vem à lembrança. Por mero acaso: prato do dia “Carne à Monchique”, que é nada mais que uma dose de Assadura da chef Laura Isabel Ferreira. Infelizmente não é preparada com carne de porco preto, mas deveria ser. Por isso afasto o prato. Em Monchique a carne do porco é cortada em bocadinhos pequenos, coberta com alho e assada em azeite piripiri, rodeada de salsa e flambeada em medronho. Um gourmet só pode comer algo assim em Monchique, recomenda-se na Foz de Banho (Caldas) ou no Luar da Foia…

Eu peço, portanto, uma sopa do dia, e depois uma dose de Filetes de Polvo. Filetes? Os tentáculos do polvo são passados em ovo e farinha e fritos, e depois servidos com feijão-frade. Uma delícia. Tenro. Exactamente a coisa certa para Lisboa. Fazer no lugar extacto, à hora exacta, a refeição exacta também é importante. E afinal quem é que come peixe fresco às segundas-feiras em Monchique? Toma-se o seu tempo para que as verdadeiras delícias gastronómicas se derretam na boca. Refira-se que a taberna foi habilmente restaurada e encontra-se prazer na decoração. Pois o certo é que não vimos apenas comer por comer, mas também para recomendar algo bom e bonito. Por isso eu só vou comer fora a sítios onde a comida é tão boa quanto em nossa casa. A mousse de chocolate e uma excelente bica como sobremesa deixam-nos satisfeitos.

Taberna Saudade
Lisboa, Prazeres, Rua Presidente Arriaga, 69
Telefone +351 – 213 950 730
(2ª-feira, 3ª-feira e 4ª-feira) das 11h às 23h
(5ª -feira, 6ª -feira e Sábado) das 11h às 01h
http://www.tabernasaudade.pt/
• Cozinha Portuguesa

About the author

Uwe Heitkamp, 53 anos, jornalista e realizador, vive 25 anos em Monchique, Portugal. Adore caminhadas na montanha e natação nas ribeiras e barragens. Escreve e conte histórias sobre os humanos em relação com a ecologia e a economia. Pense que ambas devem ser entendido em conjunto. O seu actual filme “Herdeiros da Revolução” conta durante 60 minutos a história de uma longa caminhada, que atravessa Portugal. Dez protagonistas desenham um relatório da sua vida na serra e no interior do país. O filme mostra profundas impressões entre a beleza da natureza e a vida humana. Qual será o caminho para o futuro de Portugal? (Assine já o ECO123 e receberá o filme na Mediateca)

Check Also

Templo Hindu

De comer e rezar por mais

Um provérbio antigo diz que os homens se apanham pelo estômago. No caso do Templo …

Deixar uma resposta