Terça-feira, Agosto 22, 2017
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O rugido do Leão!

Este outono, irá novamente haver eleições na minha aldeia para a escolha do Presidente da Câmara. Há quase sete anos (4+3) que a oposição está num estado de hibernação. Chegada a hora das eleições, acordou. Já nem estava a contar com o despertar dela, de tão profundo sono. Quem quer que governe uma aldeia, não tem a vida fácil com uma oposição sonolenta e desaparecida. Quando ouvi que pretendiam voltar à luta, enfrentando o Presidente da Câmara, fui à Assembleia Municipal.

Casa do povo de Monchique
Casa do Povo de Monchique / Fotografia – Carlos Abafa

A sala do plenário estava completamente lotada. Às 21h30 estavam presentes oito membros socialistas (PS), um comunista (CDU) e uma independente (MI) frente aos sete democratas sociais (PSD) que apoiam o Presidente da Câmara (PSD). Na Assembleia Municipal, o Presidente da Câmara depende da cooperação com os socialistas, o que não significa que ele próprio seja cooperante.
E por essa razão há agitação nas bancadas, pois as eleições estão à porta.

O líder da bancada socialista levanta-se e começa a ler um documento de seis páginas, argumentando por isto e aquilo o descrédito no Presidente da Câmara (PSD) por parte dos oito membros do Partido Socialista (PS), do membro do partido comunista (CDU) e do membro independente (MI). O Presidente da Câmara é acusado de ser populista e demagógico, e a sua administração incompetente e hipócrita, politicamente preconceituosa e inconsequente. “E agora, depois de sete anos cheios de promessas, o que foi realizado? NADA!” O Presidente da Câmara levanta-se, faz uma declaração pessoal, e abandona a sala. Que representação teatral de baixo nível!

Trabalho há mais de 25 anos neste concelho e analiso a identidade de um espaço que necessitaria urgentemente de uma revitalização sustentável. Muito do que, nessa noite, foi apontado pela oposição corresponde à realidade. Em sete anos, a população continuou a diminuir. Os jovens mudam-se das aldeias para a cidade à procura de trabalho. A economia no espaço rural está cada vez mais enfraquecida. E os incêndios destroem o que resta. Dizem que o Presidente da Câmara prometeu muito e cumpriu pouco. Esta discussão lembra-me um jardim infantil. Eu já não brinco contigo por teres ou não teres feito algo. Será possível haver uma atitude um pouco mais construtiva?

Os problemas que enfrentamos no dia a dia, especialmente o empobrecimento cultural e social, precisam de políticos que só prometem aquilo que conseguem cumprir, e de uma oposição que esteja sempre alerta para fiscalizar. Não faz sentido despejar uma infinidade de queixas sem ter propostas. Uma oposição que queira governar tem que apresentar ideias melhores, em vez de se limitar a pôr os dedos na ferida. Depois de quatro anos em hibernação, o leão dá um rugido e prepara o ataque, para depois acabar … como tapete do concelho, a montanha pariu um rato. O Presidente da Câmara faz uma birra e vai para casa. E está encerrada a sessão.

Que teatro absurdo é este, apresentado numa aldeia que está em grande parte em ruínas? Quando é que vocês, os políticos, começam juntos a restaurar a Casa do Povo e a criar as bases para uma política económica que ofereça oportunidades para a formação dos jovens na aldeia?

About the author

Uwe Heitkamp, 53 anos, jornalista e realizador, vive 25 anos em Monchique, Portugal. Adore caminhadas na montanha e natação nas ribeiras e barragens. Escreve e conte histórias sobre os humanos em relação com a ecologia e a economia. Pense que ambas devem ser entendido em conjunto. O seu actual filme “Herdeiros da Revolução” conta durante 60 minutos a história de uma longa caminhada, que atravessa Portugal. Dez protagonistas desenham um relatório da sua vida na serra e no interior do país. O filme mostra profundas impressões entre a beleza da natureza e a vida humana. Qual será o caminho para o futuro de Portugal? (Assine já o ECO123 e receberá o filme na Mediateca)

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