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Do It Yourself + Yes I Can

Constrói uma pequena turbina eólica

Já alguma vez, você e os seus filhos, construíram uma turbina eólica que produz eletricidade limpa?
Se não for o caso, tem agora a possibilidade única de inscrever os seus filhos no workshop “Do It Yourself”, para o verão de 2017.
Os grupos-alvo são alunos/as, com os seus professores, do nível médio, do 8.º e 9.º anos, com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos.
A participação no workshop da ECO123 “Eu construo a minha própria turbina eólica” é gratuita se, enquanto pai e professor, ajudar a apoiar o seu financiamento, através da campanha de crowdfunding.
Na Primavera de 2017, vamos precisar de cerca de 5000 Euros para pagar os custos de material.
O workshop realiza-se em Portugal.


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Já os grandes navegadores, como Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, sabiam utilizar a força do ventos. Ao longo da costa, em direção a sul ou na grande lagoa, à volta do mundo, eles velejavam com o vento, para descobrir algo novo e tornar a sua terra famosa no mundo inteiro. Hoje, o mundo já está descoberto e medido e já só se veleja como hobby ou por dinheiro. Todavia, a energia eólica ainda hoje é utilizada com sentido. Turbinas eólicas para a produção de corrente ergueram-se da terra nos últimos anos, como a relva verde na primavera, para acalmar a sede de energia também para os anos vindouros. Encontramo-nos numa fase de mudança para um aumento da utilização de recursos naturais, para que também no futuro haja um lugar na terra para nós.

Portugal cobre o seu consumo de eletricidade em 54,9% (valores de 2014) com fontes renováveis. O cerne desta produção são as tecnologias da energia eólica e hidroeléctrica. Neste domínio, Portugal está no topo, entre os países da UE. A continuação do investimento em energias renováveis vai tornar Portugal cada vez mais independente de importações de energia, abrindo caminho a um aprovisionamento energético orientado para o futuro. Todavia, as energias renováveis significam mais do que apenas uma mudança no fornecimento de eletricidade. Estas são uma resposta da sociedade à exigência dos cidadãos de autodeterminação e um fornecimento independente e descentralizado. Atualmente, muitas famílias podem já, com aparelhos solares e fotovoltaicos, garantir completamente o seu abastecimento de calor e eletricidade e, para além disso, vender o excedente de eletricidade produzido. A “revolução energética a partir de baixo”, é a revolução energética que mais motiva o indivíduo e a todos faz lucrar.

A vida está cheia de encruzilhadas, disse-me uma vez um professor, a quem perguntávamos onde teriam conduzido os outros caminhos. Quando terminei a escola, também eu me senti numa encruzilhada. Com o meu diploma fresco na mão, perguntava a mim próprio – “e agora, para que é que me sinto vocacionado? Formação ou curso superior?” É emocionante olhar para trás, ver o que aconteceu até agora e, ainda assim, imaginar onde poderia ter-me levado outro caminho. Penso, e espero, não ser o único a quem acontece isto.

Durante os meus estudos, aprendi muito acerca de energias renováveis: para que precisamos delas, como são produzidas, ou, sobretudo, como funcionam. Mas, na maior parte do tempo, era tudo muito teórico e raramente passava de conceitos. Há dois anos, o nosso grupo estudantil começou a pôr em prática a teoria aprendida. Em workshops com jovens e adultos, construímos pequenas turbinas eólicas de dez metros de altura com cerca de 900 Watt cada. O nosso objectivo não é só construir no local os equipamentos, a partir de recursos locais para um fornecimento de electricidade, mas também mostrar aos participantes o seu potencial e as suas capacidades. Trata-se de uma formação para a réplica de pequenas turbinas eólicas para uso doméstico, com vizinhos ou a família, orientada para a juventude, que em breve terá de ingressar no mercado de trabalho. Os trabalhos manuais são uma fonte de prazer e os múltiplos domínios de tarefas despertam o interesse, pela sua novidade.

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A pequena turbina eólica será construída em oito a dez dias, consoante o número de participantes (15-20 pessoas). Os participantes trabalham as matérias-primas, na maioria recicladas em cinco estações, e recebem, entretanto, curtas unidades de aprendizagem memoráveis, com conhecimento de fundo teórico para a construção da turbina eólica.

•As três pás são feitas de madeira. Além disso, vigas com dois metros são trabalhadas com a ajuda de chapas com serra, plaina e lixa, até surgir o perfil aerodinâmico desejado. A forma da pá é fundamental para o desempenho do equipamento. Quanto mais exato, limpo e definido for o perfil, mais energia poderá o equipamento extrair ao vento.
•A torre consiste num mastro e numa gôndola. Aqui requerem-se sobretudo trabalhos com o metal, como soldar e cortar. Deve ser dada uma atenção especial à protecção da gôndola contra tempestades. Para o equipamento ser durável, tem de ser trabalhado exatamente de acordo o desenho técnico.
•As fundações dão ao moinho de vento o apoio necessário para permanecer perpendicular contra rajadas de vento fortes. Para isso, escavam-se seis buracos que são depois cimentados com aço de reforço.
•O gerador transforma a força com que o vento move as pás do rotor em eletricidade. Para isso, bobinas e imãs são fixados no rotor, através da inserção de resina. Quando este gira, cria-se um fluxo magnético, que produz eletricidade nas bobinas.
•Por último, a eletricidade tem de ser tornada utilizável pelo consumidor. Um buffer, como uma pilha e técnica de engenharia de controlo guardam a electricidade produzida pelo gerador, que caso necessário pode novamente ser removida. 

EducAmbiental-03Os diferentes trabalhos manuais durante a construção da pequena turbina eólica permitem às/aos jovens participantes redescobrirem os seus interesses e capacidades. Ficam assim com uma perspetiva sobre as atividades que desempenham o carpinteiro, serralheiro, construtor de betão armado, eletricista, mecânico, desenhador técnico ou engenheiro, e aprendem a desenvolver o espírito de equipa na prática. Após a construção da turbina eólica, e com a chegada do primeiro vento, que faz girar a pá, é visível o orgulho dos jovens naquilo que construíram com as próprias mãos.

Quando os velhos navegadores zarpavam, não faziam ideia dos obstáculos que os esperavam no caminho. Levavam consigo vontade de aventura e de descoberta, mas também receios pelo futuro, e regressavam muitas vezes com novas experiências. As gerações futuras também terão de encontrar o seu caminho, quer profissionalmente, quer em questões sociais, como o fornecimento de energia. A nossa tarefa como adultos consiste em mostrar-lhes as suas possibilidades e apoiá-los no seu caminho. Podemos contar consigo?

“Do it yourself – Yes, I Can”
Email: lenz@eco123.info

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