Paula Amaral
A Bel Portugal publica nestes dias o seu relatório de sustentabilidade para o ano de 2024.
Nele, o grupo reafirma a sua pretensão de ser a empresa mais sustentável de Portugal. Pelo menos, é o que afirma Paula Amaral, diretora de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Bel Portugal. Ela não mede palavras e explica à ECO123 o que quer exatamente dizer com isso. Dedicar um relatório de sustentabilidade com 110 páginas a explicar exatamente o que e por que considera a versátil produtora de queijos a empresa mais sustentável torna-se claro para quem se dá ao trabalho de o ler.

Na página 54, encontro o que procuro: o tema alimentação saudável. A Bel Portugal tem as suas raízes no arquipélago dos Açores. Muitos bons produtos portugueses são provenientes de lá: chá, ananás, uvas, bananas e leite, manteiga, queijo. A Bel conquistou uma boa reputação internacional nos últimos 20 anos: os seus queijos falam por si, são muito conhecidos no mercado e são populares. Por exemplo, o queijo fresco Boursin ou Terra Nostra. Mas, quem sabia que os agricultores que vendem o seu leite à Bel praticam uma agricultura sustentável e regenerativa, na qual os animais e a sua alimentação estão no centro das atenções e a pegada de carbono é certificada pela Carbon Trust?
Ainda está fresco na memória que a Bel apoia um projeto de reflorestação com floresta mista em Boticas, no Norte de Portugal. A ECO123 noticiou isso em maio, bem como a cooperação com a WWF e a cooperativa local.

Do prado (campo) ao prato
Eduardo Vasconcelos, diretor de compras da Bel, sublinha: «A agricultura sustentável assenta em três pilares. O bem-estar animal, com o objetivo de garantir o cuidado e a saúde dos animais. A redução da pegada de carbono através da adoção de práticas e tecnologias que minimizam o impacto no planeta, incluindo práticas regenerativas para melhorar a biodiversidade e a saúde do solo. E, finalmente, a relação com os produtores, promovendo parcerias justas e transparentes que garantam a sustentabilidade da atividade. Estes pilares representam um compromisso com uma produção leiteira responsável e consciente.»
E Luis Gonzaga, um dos 245 produtores de leite certificados nos Açores, explica: «Quando iniciei o projeto de agricultura biológica em 2018, com todo o conhecimento que tinha adquirido, senti que faltava algo. A agricultura regenerativa era a chave para o verdadeiro sucesso. Começou-se a ver as coisas de um outro ângulo: o solo estava em primeiro lugar, acompanhado de análises detalhadas para compreender e melhorar a vida no solo e as suas necessidades. Um solo vivo e saudável, com várias plantas e pastagem planeada, traz resultados gratificantes: fornece forragem mais rica, que alimenta os animais de forma mais equilibrada, o que leva a uma melhoria do bem-estar e a leite de alta qualidade.
A caminho de uma maior eficiência na reciclagem
A Bel pretende eliminar o poliestireno (PS) dos seus produtos e embalagens. O poliestireno é um tipo de plástico frequentemente utilizado em embalagens de alimentos, mas que acarreta problemas significativos em termos de sustentabilidade ambiental. Este material é difícil de reciclar e pode contribuir para a poluição ambiental.
A Bel está empenhada em substituir o poliestireno por materiais mais sustentáveis e recicláveis. Estes esforços fazem parte de uma iniciativa global a nível do grupo para reduzir a pegada de carbono e promover práticas mais responsáveis em toda a cadeia de valor.
Relatório de Sustentabilidade 2024 Bel Portugal PDF
Nota do autor: que tal usar uma garrafa de vidro reutilizável e um sistema de depósito para evitar completamente o plástico e o alumínio da TetraPak?
Eco123 Revista da Economia e Ecologia

