Sábado, Fevereiro 29, 2020
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Entrevistas

Ambientes de Mudança. Erros Mentiras e Conquistas

Não há planeta B

Como é que se começou a interessar pelo ambiente? Comecei por me interessar sobre a sociedade de consumo que estava a despontar em Portugal em meados dos anos 80. Comecei a trabalhar no Expresso e tinha uma secção que se chamava Bolsa do Consumidor. Estávamos numa sociedade fechada, um mercado muito restrito, e com a pré-adesão à União Europeia entrámos no comboio da economia de mercado e foi um boom de consumismo absolutamente inédito e brutal sem termos na altura legislação ambiental. Acabámos por criar imensas externalidades e muito impactos negativos do ponto de vista ambiental. Um indicador muito interessante …

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como queremos viver

Como queremos viver?

De onde veio a inspiração para o Boom Festival? Foi por causa da minha juventude em Goa, onde cresci. Goa era um ponto de encontro internacional para quem viajava pela Ásia e para os hippies, uma mistura de jovens de muitos países. Havia muita música. Já nos anos 70 havia uma grande festa na praia em noites de lua cheia, em que bandas rock tocavam ao vivo. Nos anos 80, os viajantes da Austrália, do Japão, da Europa e da América traziam as novas músicas de vanguarda dos seus países. Davam-na a pessoas que, hoje em dia, são chamadas DJs. …

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zero desperdício

Zero desperdício?

Conte-nos uma história da sua infância. Nasci e vivi numa quinta na Maia, uma zona perto do Porto. Tínhamos um monte de estrume com o qual se fertilizavam os terrenos. Não usávamos muitas embalagens, bebíamos água do poço. Estamos a falar de há 40 anos atrás. O meu avô fazia o seu próprio vinho e engarrafava-o. As garrafas e garrafões eram reciclados e tornavam-se a encher. Não existia o desperdício que vemos hoje em dia. Se comprasse uns sapatos numa caixa, a caixa servia para colocar algo lá dentro. A sociedade de desperdício que vivemos hoje em dia, do descartável, …

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ser ou ter

SER ou TER

Na Karuna procura-se soluções? Sim, sim. É essa a razão pela qual a construímos, em 1992. Pode-nos dar soluções, pode receber soluções. Este não é um espaço fechado. Pode receber também. O que acontecerá este ano neste espaço? Nós organizamos retiros de silêncio. Porque se sente que o interior não está mudado, Karuna ajuda a olhar para dentro, estar certo do que estamos a fazer, para sermos corretos. Quer contar-nos uma história da sua infância? Quero. É uma história que guardo profundamente, uma história entre mim e o meu pai. O meu pai, como muitos indianos, emigrou para África. Tinha …

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felicidade

“Se ouvirmos com atenção, a felicidade pode estar em toda a parte”

É um viajante do mundo. Porque escolheu o Algarve para viver? Cheguei a Monchique depois de 15 anos a viajar de mochila às costas. Ao longo das minhas viagens comprava apenas o percurso de ida, mas isso mudou quando cheguei ao Algarve (risos). Estava com uma pessoa que vivia em Monchique e acabei por ficar. Nesse ano comecei a fazer esculturas de areia em países como a Bélgica, a Espanha… e também em Albufeira. Estávamos em 1998 e pensei em ficar porque gostei e gosto mesmo muito de Portugal. Cinco anos depois dei início ao projeto do FIESA. Fale-nos dos …

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A cultura pode mudar os nossos hábitos

O Gatilho da Felicidade?

A cultura pode mudar os nossos hábitos? Acredito no poder transformador da arte. Porquê? Porque as artes têm essa capacidade de desviar as pessoas da norma, da normalidade, e ao viverem essa outra experiência podem querer repeti-la. O projeto artístico também proporciona intuição, sensibilidade, capacidade de sair desse lado mais materialista da visão das coisas. A minha intenção é oferecer objetos artísticos de grande qualidade a pessoas que têm outras culturas e que se aproximam desta cultura artística para retirar dela dividendos incríveis para o seu quotidiano e o seu interior. E esse é o desenho circular deste trabalho, que …

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Reutilizar reduzir e reciclar

Reutilizar, reduzir e reciclar

ECO123: É difícil viver em Monchique, ou é fácil? É mais fácil do que costumava ser. Nós fomos os primeiros estrangeiros a chegar. O acolhimento de estrangeiros é muito melhor do que costumava ser. Economicamente, é mais difícil hoje em dia. Isso significa basicamente que tens de passar uma percentagem maior do teu tempo a trabalhar do que antes. Faço jardinagem e trabalho com computadores. Primeiro, estudei Engenharia Eletrónica em Portimão, e, depois, fiz um curso profissional em Faro. Quando era mais novo, a eletrónica era o que me interessava. O meu pai foi eletricista durante muitos anos e eu dei …

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Giacomo Scalisi

Qual é o valor da cultura?

Poderá a cultura viver sem estar dependente de subsídios? Giacomo Scalisi trabalha há vários anos como ator, director artístico ou programador cultural e no seu percurso já colaborou em diferentes projetos, companhias de teatro e na organização de festivais internacionais. Em 1998 chegou a Portugal para integrar o Centro Cultural de Belém (CCB) como programador cultural de teatro e novo circo, de onde saiu em 2008. Atualmente tem os seus próprios projetos na área da produção artística. O italiano radicado em Portugal reconhece que a cultura depende de subsídios para subsistir mas salienta ser uma obrigação do Estado garantir o …

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António Vieira da Silva
Um cidadão tem direito a viver com o mínimo

Eleito o governante preferido dos portugueses pelo barómetro Eurosondagem no início deste ano, o Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social considera o Rendimento Básico Incondicional (RBI) um tema apaixonante e desafiante mas mais próximo da utopia do que da realidade. José António Vieira da Silva, 65 anos, defende um modelo social regido pelo direito ao trabalho, ao respetivo subsídio de reforma, e receia que a aplicação do modelo RBI, que tem sido mais veiculado, possa criar uma sociedade ‘bipolar’ e dividida em duas classes. ECO123: No ano passado foi celebrado o centésimo aniversário sobre a criação deste Ministério. A …

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Nazaré Cabral

É necessário redefinir o sistema fiscal

Docente e investigadora do Centro de Investigação de Direito Económico, Financeiro e Fiscal (CIDEFF) da Faculdade de Direito de Lisboa, Nazaré Cabral desenvolve o seu trabalho, desde há duas décadas, em áreas como Segurança Social, Finanças Púbicas e União Económica e Monetária. É autora de uma obra considerável nestas áreas desde 2001 e faz parte da Comissão Científica do 17° Congresso BIEN. Considera o RBI como uma “medida apelativa”, mas é reticente quanto à sua implementação, considera ser necessário ponderar as “implicações que terá em relação ao trabalho” e o “impacto que poderá ter em termos da distribuição da riqueza”. …

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